quinta-feira, 22 de maio de 2014

entre faróis e túmulos

eu ia dividido
vido vivido em id's
    e idas
vivo o vivo e vivo
  tão curta vida
  tão longa avenida
  curta vida
  ao cortar a via
  cortei a vida
hoje,
divido a dívida
meio corpo no leito
meio corpo desfeito
me cortaram o peito
me arrancaram o coração
minha carne rasgada é aço
ironia de um corte na contramão

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Dá-me um prato cheio recheado de lixo e lhe digo que tenho fome mas não de vício

Tenho fome.
Talvez, talvez devesse comer outro intragável mundo
Mas já me cansei de ganhar o peso de todos os homens
Já cansei de sentir em minha carne seus fungos
Tenho fome, tenho tanta fome
Mas em meu ventre sinto tantos corpos...
Sinto-me grávida de tudo
Quero parir todos esses ossos
De incontáveis anseios e vícios fecundos
E ainda, tenho fome
Talvez, talvez se eu enfiasse meus dedos em minha garganta seca
Golfasse esses devaneios infestados de vermes
Talvez assim minha mortal enxaqueca
Pudesse escorrer de meus lábios débeis
Tenho fome, tenho fome!
Em minhas veias corre a tristeza ébria
E a tusso e a cuspo junto de meu fôlego vencido
Meu estômago lota-se de princípios velhos
De filosofias vãs e intelecto fingido
Tenho fome...
De morte já me saciei e a vida que traguei
Não satisfez nem corpo ou (pobre) alma
Do amor provei mas minha fome é de rei
E corpos são a mão do diabo que afaga
E ele não corrompe minha fome
Que não é de hoje ou de anteontem
É a anorexia eterna dos sentidos
É o vazio físico das convenções que me consomem
E me comem, e comem meus ídolos
E comem minha vida até suicidarem-me de fome. Fome.
É a fome que tenho
Por nada ter

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Olho de Shiva

Perdoei meu amado por roubar-me o amor
De tantas lágrimas versadas e poucos versos cantados
Perdoei o tempo por sacrificar minha dor
De tantas sinceras e castas carícias,
Efêmeras e esquecíveis malícias
Culpei a liberdade por seu irresistível esplendor

Quantas forjadas renúncias me forço a fingir
Para que se cultive eternamente em seus francos olhos
Tão rara e cândida complacência,
Insuportável e constante carência... 

Como agora ousar destruir,
Com minhas garras rasgadas e roídas,
Sua suave e santa inocência?

Seu corpo é a perfeição,
A fantástica e impossível união
Entre a castidade divina da infância
E a culpa prevista no perdão

Mas da efemeridade surgiu o pecado
E em minha cachaça não cabe seu amor
Minha vida tornou-se o mais doce espetáculo
E minha brasa não é mais fruto de seu ardor

Com a dança dos vícios suei meus medos
Meu corpo é fumaça, minha mente é solidão
Tornei-me anjo de asas atadas em terra de desejos
Mas te perdôo por matar nossa paixão

terça-feira, 12 de abril de 2011

Oração ao esquecimento

Ave Solidão, tristeza imaculada
O desespero é convosco
Maldita sois vossa presença entre as noites
e bendito é o fruto de vosso ventre, as lágrimas
Santa Solidão, Mãe da beleza
Enxugai o pecado de meu corpo,
Agora e na hora de minha redenção,
Torturai cada veia de minha carne,
Secai o sangue de meu coração
Agora e na hora de minha sorte
Maldita seja sua voz nesta noite
Agora que o véu de estrelas esconde o luar
Exorcizai os erros em mim
Ave Solidão, cinza do passado
Apagai de mim o tempo,
Cicatriz lasciva da paixão
Apagai as linhas de aflição,
Talhadas em meu corpo e respeito


Limpai as lágrimas perversas
Que salgam meu corpo com pecado
E fazem de meu sorriso
Cicatriz do amor dilacerado, amém

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Tribunal dos perdões

Certa noite, caminhando por entre os sonhos
Encontrei, com o destino em minhas mãos,
Maria das flores por entre urubus risonhos
E homens filhos do pecado de Adão

Maria, jogada no orvalho de erros passados
Úmidos de arrependimento
Regados pelo mar de seus olhos inchados
Decididos a viver em improvisado convento

Sobressaltou-se com os balbúcios de meus lábios
Que indagavam a razão para tão lastimável culpa
Pois ainda que estivesse eu em tão bisonha ilusão
Tamanho desalento não seria possível nunca

Então, como se de seu olhar escorresse a baba do diabo
De seus pulsos jorrasse labaredas do inferno
E do sangue de seu coração surgisse o pecado
Maria rogou pelo perdão eterno

Confessou, com lânguidas palavras rasgadas
Que em posição de Eva e engano de Madalena
Cedera a quimeras passadas
Embriagada de ilusão e loucura serena

E entregou-se às tentações de lascivas lembranças
Enterrou-se em cova de erros e submissão
Aceitou, quando nua, louca e falsa esperança
Agonizou ao toque de bocas cruas de paixão

E então lágrimas brotaram, hemorrágicas e vazias
E sua boca urrou com desbotada virgindade
Implorando para que bebesse eu suas agonias
Para que lhe devolvesse a insônia e a castidade

Queria que os pesadelos não mais lhe corroessem a sanidade
Pois quando cria ter se livrado enfim do desespero
Percebera que ela, em melancólica realidade
Era, quem diria, meu rosto mirando o espelho

domingo, 10 de abril de 2011

Maria, Mulher da Vida

Pelo triste aborto da felicidade
Caíram em mim as lágrimas de uma moça
Que por amar a liberdade
Foi-se embora, largando a louça
Seu marido, destemido
Chegou em casa assanhado
Deitou-se descontraído
Urrando por um cuidado
Quedou um tempo, esperando
Até esgotar-lhe a paciência
Pulou da cama, berrando
O corpo à mostra, sem decência
Correu desesperado, viu a louça sem lavar
Impetuoso, agarrou o facão
E Maria foi procurar
Esquecido da razão
Não a encontrava
A procurava
Sem paixão
Não a via
Até que então
Num canto sem alegria
Estava Maria destruída
Distraída na solidão
O homem, irado
Pegou sua mão
Arrastou-a pelo asfalto
No facão ao alto
Refletia o sol do verão
Maria, num suspiro fraco
Suplicou perdão
Ele, com asco
Cuspiu em sua face
E furou-lhe o coração
Sem ninguém em seu encalce
Foi-se embora pacato
E ao chegar em casa
Lavou todos os pratos.

Marguerite aux camélias

 Marguerite, prise d´un accés de toux, tombe en rentrant dans sa chambre. Assise, elle regarde le miroir.
- Ah! Quels malheurs me sont reservés! Qui aurait di que la pâleur m´aurait fait pleurer...
 Armand, après quelques secondes d´hésitation, rentre.
-Madame ! Pourquoi êtes-vous par terre?
-Monsieur Armand! Ne vous inquietez pas, je suis juste tombée...pourriez-vous m´aider?
(Un temps) Qu´est-ce que vous avez dans les mains?
-Eh, bien...je vous ai apporté des fleurs.
-Merci, c´est bien gentil...mais je n´aime pas les camélias, Armand.
-Pardonnez-moi....
-C´est rien, ne vous inquietez pas de ça. Mais alors, quel est la raison de cette agréable visite?
-Je voulais juste savoir si vous allez mieux.
-Bon, je ne vais pas mieux, mais je ne vai pas plus mal non plus. D´ailleurs, je commence à m´habituer.
-A vous habituer? Mon Dieu, madame, comment pourriez-vous vous habituer à l´idée de mourir? Vous vous faites du mal! Marguerite, laissez-moi vous racompagner chez vous, vous aurez au  moins un moment de paix. Laissez-moi vous soigner!
-Mon cher, ne voyez vous que je suis en paix? C´est grâce au péché, au plaisir et à la vanité que je suis encore dans le monde des vivants. Je suis déjà condamnée, quand je regarde dans le miroir, je vois la mort en sourriant. Comment pourriez-vous changer mon destin? Changer ce qui est déjà fait?
-Par l´amour que je vous porte!
-L´amour?! Armand, cela n´existe même pas dans ma vie.
-Vous vous trompez, Marguerite, car il est plus proche que ce que vous imaginez...
-Si vous parlez de tous les hommes qui on dit "je t´aime" dans mon lit, aucun n´était sincère!
-Non, madame, je parle de moi! Je parle de l´amour incontrôlable que je ressent pour vous! De toutes les nuits de veille où j´ai pensé à vous, de tous le jours où je suivais votre existence. Voilá maintenant deux ans, deux ans que j´ai cette passion encarcerée dans mon coeur. Depuis que je vous ai vue pour la prémièr fois, tout ma pensée fut remplie de vous, de vos yeux, de votre beauté, de votre parfum, de vos cheveaux, de votre sourrire...
-Vous m´aimez...Pardonnez-moi d´avoir oublié ce que signifie ce mot mais...mes sentiments se limitent au plaisir...je ne comprend pas comment pouvez-vous m´aimer, Armand, je suis même sûr que vous ne saviez pas ce que cela veut dire....De toute façon, à quoi ça sert l´amour quand la mort est si proche? Non, ne me répondez pas, Armand, car je sais déjà la réponse que vou me donnerez...non! L´amour ne pourra pas me soutenir, car je ne sais pas aimer.
-Je peut donc vous l´enseigner!
-Vous n´avez pas compris, mon cher, je ne veut pas aimer.
-Même se je vous promis de vous être dévoué, de corps et âme?
-Ah, et porquoi voulez vous ça maintenat, dans mes derniers jours? Pourquoi n´avez-vous jamais promis ce dévouement avant, quand j´avais encore l´espoir de vivre? Vous n´êtes jamais monté ici durant ces deux ans...pourquoi?
-Je ne vous conaissais pas...
-Et croyez vous que vous me connaissez maintenat? Alors que je suis si prête a partir? Alors que vous m´avez parlé pendant ce temps la? Ces dix minutes?
-Je crois que je peut comencer à vous connaître, mais avant je n´avais pas assez de courage.
-Hélàs, vou n´aviez pas le courage de monter dans la chambre d´une courtisane? A présent qu´elle est devenue malade, vous avez trouvé ce courage?
-Non! Ce n´est pas cela...
-Alors, qu´est que c´est? Pensez-vous qu´une prostituée malade est plus sentimentale?
-Marguerite! Je n´ai jamais dit cela!
-Mais, peut-être, l´avez-vous pensé?
-Arrêtez cette torture, je vous aime, comment pourrais-je penser cela de vous?
-Ainsi vous êtes vraiment amoureux de moi!?
-Je ne sais pas si je dois vous le dire aujourd´hui que...
-Ah, Armand...il serait mieux, pour votre coeur, de ne le dire jamais.

12/03/2007

sábado, 12 de março de 2011

Noite do Impostor

Não com outros olhos me amaram
Mas com aqueles de sincera paixão
Se fosse com os de lascivo desejo,
Eu talvez encontrasse o perdão
Como respeitar o reflexo
Quando nele só enxergo a solidão?
Não busco ou admito outros versos,
Estes não rimam minha pretensão
Sou o egoísmo solitário e virgem
O libertino e jovem desamor
Sou a máscara da vertigem
Sou a imposta dor

domingo, 24 de outubro de 2010

Sonhos

Andava Anita de corpo curvado
No peito as mazelas do sonho furtado...
Como queria eu sua dor furtar
E virar filho de rei  para em seu olhar reinar

Aqueles olhos de calma castanha
De serenidade subversiva, de terra abatida
De brasa contida, de cândida manha
De paixão ressentida em minha cama

O nariz de feitio divino
Aspirava meu coração desmazelado
Guardava em seus pêlos meninos
Meu suor de amante agoniado

Sobre seus lábios não me atrevo discursar
As rimas seriam ofensas, os versos chagas
Pois nunca a carne fora o próprio amar
A não ser naquela rubra fenda de mágoas

Em seu pescoço o odor da solidão
Em seus seios o berço de meus beijos
Em seu ventre minha lânguida ilusão
Em suas pernas meus roxos anseios

E em seu espancado coração
O vazio transbordando minha ausência
O vicioso afago de meus perdões
E de minha louvável clemência

Pois vivia Anita de suplícios
De pecados urrados em silêncio
De orgias, banquetes e vícios
Toda a luxúria em sonhos imensos

E eu a flagrava à noite a dormir
Com o perfume úmido do desejo
Seu corpo em espasmos a sorrir
Seus olhos brilhando em lampejos

E eu morria a cada luar desgraçado
Assistia à fuga do Sol em depressão
Rezava em canto desatinado
Para que corresse o dia sem escuridão

Até que conformado com minha mortalidade
Cedi a meus anseios humanos
Esqueci-me de nossa santíssima divindade
E entreguei-me aos torpes e profanos

Não fossem os venenos da fraqueza
Da cachaça singela, da injeção e da erva
Ainda seria eu membro notório da nobreza
Eu, filho de rei e amante da donzela
Hoje a sete palmos do chão,
Mas para sempre viva em meu coração

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Convite de Tristão

Pois veja só o quanto, por me amar
Fizera de minha mente a fonte do ódio perverso
Fizera de meus olhos cascatas de amor confesso
As palavras, assim singelas e educadas,
Estriparam meu corpo quente
Levaram à garganta as ilusões amadas
E assassinaram meus sonhos complacentes
Emudeceram meu rir,
Com a bravura do impossível
Levaram-me a injustamente sentir
O que cria ser impossível
Acenderam em meu peito a brasa esperançosa,
Verteram em meus lábios a peçonha da paixão
E convenceram minha alma medrosa
A morrer pela própria mão
Pois morrer…por lúgubre que seja
É a única medida terna
De garantir a ilustre certeza
De que nossas vidas serão eternas

sábado, 9 de outubro de 2010

Se mentir fosse o pior castigo

Agora, quando fugida e sem demora,
Esquecida e com triste glória
Agora sem seus passos no enlaço dos meus
Com seus sorrisos em fotos esquecidos
Com meu corpo longe do seu toque
Agora, quando enfim creio no fim da memória
Quando pura me limpo de nossa história
Guardada apenas em sonhos meus
Agora, com o ventre vazio do peso seu
Percebo que não, meu amor não se perdeu
Me cativou, me enganou e afugentou-se
Mas voltou para me castrar
Agora, com suas mãos em meu olhar
Desenhando o que hei de lembrar
Vejo que mesmo de corpo flácido e oco
Seu sangue ainda corre em minhas veias
Me acorrentam à sua ilusão
Fazendo com que eu novamente creia
Que nosso amor não foi nunca verdade
Mas será sempre minha liberdade
Pois nenhum outro hei de ter
De tanto ser sua 
Sou livre de meu próprio ser

Defunto itinerante

Foi justamente naquele instante que percebi
Assim que, de tanta tristeza, dei pra sorrir
Foi naquele momento tão breve, e ainda constante
Quando as paixões outras, outrora minhas, decidiram partir
Quando meus motivos, singelos e fingidos, cansaram de existir
Quando percebi que viviam todos, menos eu
Que viviam todos, enfim;
Naquele instante, sem pompa ou fausto
Passei também a viver sem mim


Sweet Wings

Drop your tears, love

In the remaining pieces of our ilusion

For I've found the freedom's dope

And your joy became misused

I ain't the reason's alibi

Nor gonna let the youth go by

For I've found my chains to be your eyes

And I ain't the prisioner of love's lies

I'm naked in joy's histeria

Free in lonely skies

Deep down in rainbow's euphoria

I found my wings to fly

And I'll go far to oblivion's sea

For past is no longer me

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

De todos os palcos que subi, de todas peças que vivi e a vida que encenei


Eu nunca  disse não.
Talvez, algumas poucas vezes, tenha me enganado
Ou tenham enganado a mim
De tudo que neguei agora me falta
E essa falta corrói meu peito e carne
Sedenta me arrependo, faminta me ajoelho
Aceitem agora minha solidão
Que seja escarrada de meu decrépito corpo
Que cheio de tudo esvaziou-se de emoção
E tendo tudo o que agora me falta foi o que não quis
O que superior a tudo me desfiz
E que hoje talha meu sorriso desmazelado
Pois não tenho mais seus poemas,
Nem seus
Ou dele
Não tenho mais seus olhares
Nem as rosas dele
Nem os versos de outro
Pois de coração atado nada me sobrou
E comigo mesma já não suporto viver
Meu reflexo já não compreendo
Passo dias mirando-o, morta
Ou morto ele
Mas não vejo nada além de pele flácida, olhos ocos
É um vazio desalmado, um livro usado
Um conto esquecido, jogado, ignorado
De contento batido
De linhas retas, maçantes, ululantes
Algo a não ser lido
As páginas em branco restaram,  não há quem preencher
O começo fora interessante, o resto pedante
O final não vale saber

Liberdade é o prato cheio na barriga do faminto

De dia o sol entrando no corpo em chamas, vermelhas lágrimas
Queimando o rosto que um dia fora todo
E hoje mal é nada
E os restos dos resquícios dos sorrisos que ninguém vê
Se perderam no mar que forçou a esquecer

Mergulhada na ebulição das noite nuas, dos meteoros e das falsas luas
Subiu na estrela que ninguém mais viu
E foi longe ao imprevisto, ao impossível ao irreprimível ser
Tornou-se a explosão dos astros, dos abraços esquecidos e dos amores fingidos
Tornou-se  pura e finalmente sua


Sumiu sem nada ver
Sem ter visto
Sem ser vista
Ninguém viu
Ela ser

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Carrego em minhas entranhas gastadas a vida
Vomito com minhas palavras a vida
Em minhas poucas virtudes forço a vida
Mas sou sono
E em meus sonhos não existo
E se existisse a morte
Morta seria.

Poucas e definitivas

Como se do corpo se fizesse a alma
Da guerra surgisse a solução,
De meu coração não se faz a paciência
Para se brincar de devoção

Não nego a perfeição dos versos cantados
A celebração de uma união
Mas quanto a buscar o amor
Prefiro me guardar pra solidão



terça-feira, 28 de setembro de 2010

Renego o amor

São nessas horas de solidão forçada
E de desilusão contente
Que enxergo em mim uma alma aguada
Escorrendo pelo vício imprudente
Vício este pela já manjada tristeza
Pelo salgado das lágrimas de estimação
Pela busca da certeza
De que o buraco de meu coração
É preenchido pelo torpe tumor da crueza

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Ócio aflito

Morrem na garganta as palavras profícuas
As únicas que para algo serviriam
Em seu lugar, o golfo de rimas oblíquas
Quem diria que estas não me alimentariam?
Agora ando faminta, minha mente ossuda em contrição
Vertendo o veneno da ilusão
Dissolvendo-me as idéias e emudecendo meus sentidos
Quem diria que não são sinceros meus sorrisos?
Estes, espelhos da imensidão oca de meu eu pensante
Consomem meu saber
Pois esquecendo-me do intelecto sufocante
Posso com a ignorância aprender a viver

Les plaintes du condamnè

Como queriam os erros meus
Sedar minha mente aflita
Embriagar os remorsos ateus
E emudecer minhas conquistas
Como queriam meus sonhos despertos
Desbravar minha realidade adormecida
Fazer desses urros incertos
A música da razão iludida
E frente à face do inimigo destemido
Queria meu corpo ceder à terra do passado
Enterrar-se num suspiro sucumbido
E retornar ao repouso furtado
E agora que de desilusões e misérias
Minha carne se alimenta
Como quer meu eu se esquecer!
Se perder
Se render à solidão mórbida dos suicidas,
Pois já não sou carne,
Sou lágrimas arrependidas

Descubra-me.

Minha foto
Sou fruto da nudez de meus instintos e da pureza de minhas paixões